Um dia para ampliar o olhar sobre cada história
O desenvolvimento infantil envolve diferentes dimensões da vida: aprender na escola, conseguir se comunicar, participar das brincadeiras, construir autonomia e encontrar apoio nos momentos difíceis. A programação do segundo dia aproximou essas dimensões e incluiu também a organização dos serviços que recebem as famílias.
A seguir, apresentamos as 11 palestras exibidas na programação do palco principal e reflexões da Atos sobre a relevância de cada tema. Os títulos e os nomes foram consultados na programação compartilhada pela direção. Os comentários são um desenvolvimento editorial apoiado em referências independentes, e não uma transcrição das apresentações ou uma reprodução das conclusões dos palestrantes.
1. Diagnóstico Não Ensina: o papel da psicopedagogia na construção da aprendizagem no autismo
Na programação: Luana Canales.
O título abre uma pergunta importante: depois de compreender o diagnóstico, como construir oportunidades reais de aprendizagem? O laudo pode orientar a compreensão das necessidades, mas o planejamento precisa conhecer a criança, seus interesses, suas habilidades e as barreiras que encontra.
Para a Atos, essa reflexão aproxima avaliação, objetivos e diálogo com a escola. Vale perguntar: o que a criança já consegue fazer? Qual apoio facilita sua participação? Como reconhecer um avanço que faça diferença em sua rotina? A aprendizagem merece um plano individualizado e espaço para revisão, sem comparações com o ritmo de outras crianças.
2. Ansiedade e depressão na criança grande e no adolescente: guidelines e protocolos
Na programação: Dra. Ana Cecilia.
O cuidado também precisa acompanhar o que crianças maiores e adolescentes sentem. A Organização Mundial da Saúde destaca a relevância da ansiedade e da depressão nessa fase e a importância de ambientes de apoio na família, na escola e na comunidade. Consulte a referência da OMS.
O tema nos convida a reservar espaço para a escuta e a levar a sério mudanças persistentes que tragam sofrimento ou prejudiquem a participação no cotidiano. Protocolos podem organizar a avaliação profissional; a conversa precisa continuar considerando a história, os vínculos e o contexto de cada pessoa.
3. Tecnologias e ferramentas digitais no diagnóstico de autismo, TDAH e dislexia
Na programação: Dr. Raphael Rangel.
As ferramentas digitais levantam questões sobre como organizar informações, acompanhar observações e apoiar o trabalho dos profissionais. O ponto central é entender a finalidade e os limites de cada recurso, a qualidade de sua validação e o cuidado com os dados das pessoas avaliadas.
Um resultado de aplicativo, questionário ou ferramenta automatizada precisa ser interpretado no contexto de uma avaliação adequada. Para autismo e TDAH, as diretrizes do NICE destacam a história do desenvolvimento e informações de diferentes contextos. A tecnologia deve ser analisada como apoio ao raciocínio clínico e à escuta da família, sem transformar um resultado isolado em conclusão diagnóstica.
4. TDAH feminino: o transtorno invisível
Na programação: Dra. Jéssica Torres.
O título chama atenção para dificuldades que podem não ser reconhecidas. A diretriz do NICE orienta que os profissionais estejam atentos ao possível sub-reconhecimento do TDAH em meninas e mulheres, inclusive à menor frequência de encaminhamento para avaliação. Leia a recomendação do NICE.
A reflexão para famílias e equipes é ampliar a escuta: dificuldades de atenção e organização que afetam a vida merecem compreensão, mesmo quando não há agitação evidente. Isso exige investigação individualizada, considerando outras explicações possíveis, em vez de associar automaticamente uma característica ao TDAH.
5. Os desafios do desenvolvimento da comunicação e linguagem em pessoas com TEA
Na programação: Aline Kabarite.
Comunicar envolve pedir ajuda, demonstrar preferências, recusar, compartilhar interesses e participar de relações. Esse tema amplia a conversa sobre o que faz diferença na vida da criança e nas oportunidades de ela ser compreendida.
As recomendações do NICE incluem estratégias de comunicação social ajustadas ao desenvolvimento, com participação de familiares e outros parceiros. Para a Atos, uma pergunta orientadora é: como tornar as interações mais acessíveis e significativas para aquela pessoa? Os objetivos precisam considerar suas formas de expressão e suas necessidades nos ambientes em que vive, e não apenas o desempenho durante uma sessão.
6. A neurobiologia do luto e da adaptação: o impacto do diagnóstico no sistema familiar
Na programação: Rossandro Klinjey.
Receber um diagnóstico pode mobilizar dúvidas, alívio, preocupações e a revisão de expectativas. Não existe uma reação obrigatória nem uma sequência de sentimentos que todas as famílias precisem atravessar. O termo “luto”, presente no título da palestra, não significa a perda da criança nem deve ser imposto como descrição da experiência de toda família.
A reflexão que levamos desse tema é a necessidade de acolher quem cuida, respeitando o tempo e a história de cada pessoa. Informação compreensível, divisão de responsabilidades e uma rede de apoio possível podem entrar nessa conversa. A família precisa encontrar espaço para perguntar e compartilhar dificuldades, sem ser culpabilizada por senti-las.
7. Altas habilidades/superdotação: a trajetória invisível
Na programação: Dra. Natália Rosendo.
O tema convida a olhar também para potencialidades que ainda não encontraram reconhecimento ou oportunidades de desenvolvimento. Reconhecer altas habilidades envolve compreender um perfil de capacidades e necessidades educacionais, sem reduzir a criança a um estereótipo de desempenho perfeito.
Para a Atos, a conexão com o cuidado está em perguntar o que desperta o interesse da criança, onde ela encontra desafios adequados e quais apoios precisa para participar e se desenvolver. A atenção às potencialidades deve caminhar junto com o acolhimento das dificuldades e das necessidades emocionais.
8. Transtorno do desenvolvimento intelectual: o diagnóstico que muda destinos
Na programação: Dr. Renato Pacheco.
Um diagnóstico bem compreendido pode ajudar a direcionar apoios. Na deficiência intelectual, a avaliação considera o funcionamento intelectual e as habilidades adaptativas, relacionadas à vida cotidiana; não se resume a uma pontuação de teste. Veja a explicação do NICHD, instituto dos NIH.
O título nos provoca a pensar no que vem depois da avaliação: oportunidades de aprendizagem, participação, comunicação e autonomia, conforme as necessidades da pessoa. A informação diagnóstica deve ajudar a planejar apoios e a reconhecer possibilidades, sem ser tratada como uma previsão fechada do futuro.
9. Práticas baseadas em evidência do exercício e do movimento
Na programação: Dr. Paulo Chereguini.
O movimento faz parte da infância: brincar, explorar espaços e participar de atividades com outras pessoas. A OMS associa a atividade física a benefícios para a saúde e o desenvolvimento de crianças e adolescentes, incluindo habilidades motoras e bem-estar. Consulte as informações da OMS.
Uma reflexão prática é pensar em experiências acessíveis, prazerosas e ajustadas às condições de cada criança. A escolha de atividades deve respeitar preferências e necessidades de apoio. Participar com segurança e encontrar prazer no movimento são objetivos relevantes, sem exigir um desempenho igual para todos.
10. Altas habilidades, superdotação e dupla excepcionalidade
Na programação: Dr. Thiago Castro.
A dupla excepcionalidade descreve a coexistência de altas habilidades e uma deficiência ou condição que também demanda apoio. Potencialidades e dificuldades podem aparecer juntas, e reconhecer apenas uma dessas dimensões pode deixar necessidades importantes sem resposta.
A National Association for Gifted Children recomenda uma identificação e um acompanhamento que considerem as forças e os talentos dessas pessoas. O tema reforça uma pergunta útil para a equipe: como oferecer oportunidades para desenvolver capacidades e, ao mesmo tempo, garantir os apoios necessários? Leia o posicionamento da NAGC.
11. Como aumentar o faturamento da sua clínica sem precisar atrair mais pacientes
Na programação: Dr. Júlio Gazolla.
A programação também trouxe um tema voltado à gestão. Sem antecipar as estratégias apresentadas pelo palestrante, essa pauta abre uma reflexão sobre como sustentar um serviço com organização, planejamento e responsabilidade.
Na perspectiva da direção da Atos, falar de sustentabilidade envolve conhecer custos, melhorar processos e criar condições para o trabalho da equipe. As decisões de gestão precisam preservar a indicação clínica individualizada e a transparência com as famílias. A organização administrativa deve apoiar a continuidade e a qualidade do atendimento.
O que queremos levar para a Clínica Atos
Os temas do dia aproximam necessidades clínicas, aprendizagem, acolhimento familiar e gestão. É nessa conexão que a presença de Willian e Sarah faz sentido: ampliar perguntas, aprofundar referências e identificar assuntos para discutir com os profissionais da Atos.
O próximo passo é transformar o interesse em estudo e diálogo com a equipe, avaliando a pertinência de cada proposta para a realidade dos pacientes. A participação no congresso integra esse compromisso contínuo de formação.
Seguimos aprendendo para reconhecer potencialidades, compreender necessidades e construir uma parceria cada vez mais próxima com as famílias.
Amanhã tem mais! No dia 7 de novembro, acompanharemos o terceiro dia do Congresso Espectro 2026. Continue conosco pelos canais da Atos.
Assista: Sarah comenta o segundo dia do congresso
Quer saber como foi esse dia pela perspectiva da nossa diretora clínica? Assista ao vídeo em que Sarah compartilha um resumo dos temas e das reflexões da nossa participação.
Se o vídeo não carregar, assista ao resumo do segundo dia no Instagram da Clínica Atos.
Fontes e informações editoriais
Matéria institucional publicada em 6 de novembro de 2026. Títulos e nomes conforme a programação do palco principal compartilhada pela direção da Atos. As reflexões foram desenvolvidas editorialmente com apoio das referências abaixo; não são transcrições nem conclusões atribuídas aos palestrantes. Referências consultadas em 6 de novembro de 2026:
- NICE — reconhecimento, encaminhamento e diagnóstico de autismo em menores de 19 anos
- NICE — apoio e acompanhamento de crianças e adolescentes autistas
- NICE — diagnóstico e acompanhamento do TDAH
- OMS — saúde mental dos adolescentes
- OMS — atividade física
- NICHD/NIH — avaliação das deficiências intelectuais e do desenvolvimento
- NAGC — identificação e apoio de crianças com dupla excepcionalidade
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